Bloco dos candidatos promete concentração para o concurso do TRF-RJ/ES

“Atrás do trio elétrico elétrico só não vai quem já morreu”. Quando Caetano Veloso escreveu este verso, certamente não conhecia os candidatos do concurso 2017 do TRF 2, que vão abrir mão da folia neste final de fevereiro para que possam garantir seus ingressos para o bloco dos aprovados, que acontecerá somente no segundo semestre, com a homologação do resultado do concurso.

Esse é o caso de João Victor Borges, que acredita que para conquistar sua vaga de técnico judiciário sem especialidade vale (quase) tudo, até mesmo encarar uma DR. “Minha namorada anda me pressionando para curtir o Carnaval com ela”. E, pode acreditar, ela está munida de bons argumentos, afinal, no ano passado, o concurseiro também trocou a folia pelas apostilas: “Por causa da prova do MP-RJ”.

Mas para tudo há uma solução. A do casal foi conciliar os interesses dos dois lados: João Victor aceitou viajar com a namorada, porém… “Vou levar material para estudar. Foi a condição que coloquei”. Para ele, os dias que antecedem a avaliação podem significar a diferença entre um candidato nomeado ou na fila de espera. “Principalmente para quem tem matéria acumulada para estudar, esses dias serão fundamentais”.

Assim como João Victor, Isabela Gomes não poderá se dedicar inteiramente ao seu amor no feriadão, mas, no caso dela, a paixão não é exatamente por outra pessoa. “Eu sempre fui amante do Carnaval, mas minhas amigas já sabem do meu propósito e nem me convidam para os blocos”, revela, com o pensamento firme de que não se renderá ao charme das serpentinas.

Talvez Isabela só consiga se distanciar do seu segundo amor, o Carnaval, porque tem, ao seu lado, o primeiro: “Meu noivo também está estudando pra outro concurso. Então, não teremos problemas quanto a isso”, conta, feliz por ter, com o parceiro, uma missão comum. Para ela, esses dias em que muitos estarão atrás do trio elétrico podem fazer a diferença na prova: “Vão servir pra tirar as últimas dúvidas e fixar o conteúdo, com questões. Além disso, vou aproveitar a semana para fazer alguns exercícios de respiração para controlar a ansiedade no grande dia”.

Wallace Ferreira não tem a mesma sorte de Isabela de compartilhar objetivos com as pessoas ao seu redor, mas nem por isso cogita fraquejar na sua caminhada e segue firme nos estudos. “Infelizmente, nem todos os amigos aceitam nossa decisão de abdicar de algumas situações boas para estudar. Uns até se afastam. Eu até entendo e respeito a decisão deles, mas jamais vou desistir de realizar esse meu sonho!”

Apesar de alguns amigos de Wallace não compreenderem sua decisão, ele foi recompensado pelo destino com um presente. “O nome dela é Lidiane Neves. Uma grande amiga que, devido à experiência em concursos e ao seu bom coração, tem sido fundamental na minha preparação: está sempre ao meu lado, me apoiando”. Mas voltando ao assunto ‘Carnaval’: “Enfim, acho que abrir mão de quatro dias de folia para focar na reta final dos estudos será um ganho de tempo, e não uma perda”.

Heitor Melo discorda. Ele disputa uma vaga de analista no concurso 2017 TRF-RJ/ES e considera que estudar no último momento pode não ser tão interessante. “Com certeza vou participar dos blocos, claro que com moderação. Já venho estudando por alguns meses e o concurso será logo após o Carnaval, acho necessário também me divertir”, argumenta. Para ele, um pouco de confete e serpentina não faz mal algum: “Ainda mais que a festa será uma semana antes da prova, que para mim não é mais época de estudos, e sim de relaxamento”.

Mas Heitor, que já é funcionário público, certamente está mais preparado para o concurso TRF 2 do que muitos outros candidatos: estuda para o TRF 2 desde janeiro do ano passado, ou seja, em fevereiro de 2016 também precisou treinar redação ao som das marchinhas que vinha das ruas. Aliás, para ele, não são quatro dias que vão fazer a diferença no seu desempenho: “Não acredito que a preparação de última hora possa ajudar”.

Anderson Sardenberg acredita. O contador garante que, enquanto acontecem os blocos de Carnaval, ele estará resolvendo questões anteriores “freneticamente”. Dali ele não sai. Dali ninguém o tira. “Acho que ir para a folia é um desgaste físico muito grande, além de comprometer o foco”. Mas, para ele, descansar não é pecado algum: “Nem por isso vou deixar de curtir o feriado prolongado, afinal descansar a mente é importante para fazer uma boa prova. Fui convidado para viajar e já aceitei. Mas é uma viagem de descanso, sem abusos. Já tenho tudo organizado para finalizar meus estudos”.

Quem também recebeu convites para o Carnaval foi Carlos Gláuther Coutinho. Ele, porém, recusou. Talvez Carlos tenha amigos mais compreensíveis que os de Wallace e uma namorada tão companheira quanto o noivo de Isabela: “Quando disse não aos convites, o pessoal lidou bem. No caso da minha namorada, que também é concurseira, não haverá problemas. Está tudo combinado para estudarmos juntos no feriado”.

Esses são só seis dos 204.452 candidatos no concurso 2017 TRF-RJ/ES. Se os outros 204.446 inscritos também entendem que Carnaval demais na preparação pode atrapalhar, não há como saber. Mas há como supor: se a mídia noticiar que os blocos de rua andam muito vazios, com poucos foliões, você já vai saber o motivo. Caetano Veloso que não os leve a mal.

Candidatos do TRF-RJ/ES contam planos para o carnaval
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Folia dos concurseiros exige equilíbrio, diz especialista
Muitos candidatos do concurso TRF 2 já declararam que vão abrir mão de curtir os blocos para estudar, já que as provas acontecem no início de março (dias 5 e 13, dependendo do cargo). Eles garantiram que vale a pena ficar em casa estudando, mesmo que, para isso, precisem perder o carnaval. Perder o Carnaval? Para o professor de concursos e juiz federal aposentado José Roberto Lima, quem pensa assim começa mal. De saída, já está errado.

Calma! Para o autor do livro “Como passei em 15 concursos?”, o erro não está em deixar de curtir os blocos para estudar, pelo contrário: o problema é a ideia de estar “perdendo” algo. “Durante minha época de concurseiro, eu nunca tive a sensação de ter sido prejudicado por não aproveitar um Carnaval, nem sequer um momento de lazer. Essa ideia de ‘perda’ depende da mentalidade de cada pessoa. Perder alguma coisa é, antes de tudo, uma sensação. Até porque nós vamos fazendo escolhas ao longo da vida”.

Ao longo da vida é comum esbarrar em algumas situações que provocam essa sensação. “Ouvir relatos como ‘o vizinho viajou para a praia, caiu na folia, mas eu não tive essa oportunidade’ é muito comum. Eu acho que as pessoas precisam largar um pouco essa sensação de lado para seguir firme no seu objetivo. Qual é o seu objetivo? Passar num concurso? Então, pega firme nos estudos”.

Mas para isso não é necessário que você abra mão de todas as oportunidades de lazer. “Nem deve fazer isso! Ter uns momentos de descontração, diversão, um bom repouso… Tudo isso é necessário para o cérebro funcionar melhor”. Mas nem pense em utilizar os argumentos de José Roberto para justificar a presença em todos os blocos que você pensa em ir neste Carnaval. Você sabe que não é disso que ele está falando! “A moderação é sempre o caminho da sabedoria. As pessoas precisam definir bem seus objetivos e parar de experimentar essa sensação de perda”.

Para facilitar sua vida, o professor conta a fórmula mágica para eliminar, de vez, a sensação de perda: “Você tem que gostar de estudar. Isto depende de atitude. Tudo que nos dá prazer é antecedido de treino, é assim com as virtudes e com os vícios. Com os estudos, eu garanto que é o mesmo. Persista. Estude um pouco por dia, mas todo dia. Ao fim de dois meses, garanto que você vai passar a gostar de estudar e acabar com aquela sensação de perda”.

Não é só a sensação de perda que deve ser vencida: aqueles amigos que tentam te puxar para baixo junto com eles também precisam ser driblados. Eles te convidam para desviar do seu caminho e, mesmo você falando que não quer ir aos blocos porque vai estudar, eles não entendem. “Aí começam a insinuar até sobre a sua sexualidade, com argumentos como ‘você não gosta de nada’, ‘precisa arrumar um namorado ou uma namorada’…”, enumera.

Para essas pessoas, José Roberto sugere que você responda assim: ‘Vou estudar, depois te mando o convite do meu casamento’. E complementa: “É possível que ela tenha essa falta de moderação nos comentários porque está infeliz com algo e precisa exagerar na diversão destrutiva só para atenuar o vazio que sente”, explica, brincando: “Estou meio psicólogo hoje”.
Fonte:Folha Dirigida

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