17 temas de Atualidades 2016 em concurso: arrase na prova

Retrospectiva 2016

Imagina uma prova de Atualidades ou Redação nos concursos do início de 2017. Difícil, não? Este ano não foi nada fácil: muitos acontecimentos para apenas 365 dias, e foi tamanha intensidade que ninguém acredita que já estamos no fim. A sensação que fica é que ao longo desse tempo estávamos presos em um filme onde acontecia de tudo. Há, inclusive, quem diga que em 2016 vivemos exatamente como os personagens da série britânica Black Mirror.

A verdade mesmo é que desde o início até o final do ano, muitas coisas aconteceram e ainda não conseguimos digerir: impeachment da presidente Dilma Rousseff, separação dos britânicos da União Europeia, crise econômica, Olimpíadas, recessão política, reforma da previdência, morte de Fidel Castro, ocupações das escolas, entre tantos outros. Como, afinal, serão as provas de concurso em 2017?

Dicas para concurseiros que vão fazer provas em 2017
Para quem vai prestar concurso agora, a dica é ficar atento ao que ocorreu durante todo o ano de 2016 para se sair bem na prova de Atualidades. É o que afirma o professor de Sociologia, Atualidades, Filosofia e temas de Redação, Rodolfo Gracioli.

“Dessa forma, saber filtrar a informação no seu caráter descritivo, promovendo um aprofundamento útil para o entendimento é o caminho para um bom desempenho da prova de Atualidades”, afirma Gracioli. Para ajudar todos concurseiros a gabaritarem a prova de Atualidades ou elaborarem uma Redação sem dificuldades, o professor Rodolfo Gracioli listou 17 acontecimentos nacionais e internacionais, que podem ser cobrados nos concursos 2017. Confira a seguir o infográfico e os comentários de cada tópico:

retrospectiva-2016

BRASIL
1. Carmen Lúcia: nova presidente do STF
Em setembro de 2016, a ministra Cármen Lúcia tomou posse no cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) no lugar do ministro Ricardo Lewandowski. Durante o mandato de dois anos, a magistrada acumulará a chefia da mais alta Corte do país com a presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle do Judiciário. Cármen Lúcia, é a segunda mulher a presidir o STF. Dentre alguns aspectos, a presidente do STF tem postura marcante:

– Contrária ao foro privilegiado;
– Votou favorável a Marcha da Maconha, da cota para negros, da união gay e do aborto de anencéfalos;
– É defensora da liberdade de expressão: votou pelo afastamento da exigência de autorização para a publicação de biografias;
– Favorável ao voto obrigatório.

2. Polêmica das vaquejadas
Em outubro de 2016, por 6 votos a 5, o STF derrubou uma lei do Ceará que regulamentava a vaquejada, tradição cultural nordestina na qual um boi é solto em uma pista e dois vaqueiros montados a cavalo tentam derrubá-lo pela cauda. Os ministros consideraram que a atividade impõe sofrimento aos animais, ferindo princípios constitucionais de preservação do meio ambiente. Já o governo cearense alega que se trata de um elemento da cultura da região, que acaba por movimentar R$14 milhões anualmente. Em novembro de 2016, o presidente Michel Temer sancionou a Lei 13.364/2016, reconhecendo a vaquejada e o rodeio como manifestações da cultura nacional e patrimônio cultural imaterial.

3. Os 24 anos do massacre no Carandiru e a anulação dos júris
A ação da polícia militar para controlar uma rebelião no pavilhão 9, da casa de detenção na Zona Norte de São Paulo, completou 24 anos em outubro de 2016. O massacre, como ficou conhecido o episódio, resultou na morte de 111 detentos, e apenas um policial envolvido encontrava-se preso (por outro crime, inclusive). Em setembro de 2016, 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo anulou, por decisão majoritária, os julgamentos dos PMs condenados. Os júris foram reanalisados a pedido dos advogados dos policiais. O fato gerou uma série de protestos pelo país.

4. Decisão do STF sobre aborto
A polêmica ganhou destaque quando a Primeira Turma do STF revogou a prisão preventiva de cinco médicos e funcionários de uma clínica de aborto. A decisão valeu apenas para o caso específico, mas abriu um precedente para a descriminalização (fim da prisão) das mulheres ou médicos que realizam o aborto. Três dos cinco ministros que compõem o colegiado consideraram que a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação não configura crime. Segundo o Código Penal, a mulher que aborta está sujeita a prisão de um a três anos; já o médico pode ficar preso por até quatro anos.

5. PEC 55
Antiga PEC 241, teve sua proposta promulgada em dezembro. O objetivo é estabelecer um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. Com isso, os gastos só poderão aumentar de acordo com a inflação do ano anterior. O texto foi aprovado em dois turnos tanto na Câmara quanto no Senado. Confira abaixo os principais pontos da PEC 55 (Fonte: Portal G1):

– As despesas da União (Executivo, Legislativo e Judiciário e seus órgãos) só poderão crescer conforme a inflação do ano anterior. A inflação para 2017, que servirá de base para os gastos, será de 7,2%;
– Nos demais anos de vigência da medida, o teto corresponderá ao limite do ano anterior corrigido pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA);
– Se um poder desrespeitar o limite, sofrerá sanções no ano seguinte, como a proibição de realizar concursos ou conceder reajustes. E se um poder extrapolar   o teto, outro poder deverá compensar;
– Os gastos com saúde e educação só serão enquadrados no teto de gastos a partir de 2018;
– Com relação aos gastos mínimos em saúde, o texto prevê que passem em 2017 dos atuais 13,7% para 15% da receita corrente líquida (somatório dos impostos descontadas as transferências previstas na Constituição). E a partir de 2018, esses investimentos se enquadrem no teto de gastos, sendo corrigidos pela inflação;
– Ficam de fora das novas regras as transferências constitucionais a estados e municípios, além do Distrito Federal, os créditos extraordinários, as complementações do Fundeb, gastos da Justiça Eleitoral com eleições e as despesas de capitalização de estatais não dependentes;
– A partir do décimo ano de vigência do limite de gastos, o presidente da República poderá um projeto de lei ao Congresso para mudar a base de cálculo.

6. Reforma da Previdência
Sendo uma das bandeiras do governo Temer, a proposta apresentada gerou uma efervescência entre especialistas e a sociedade. A PEC 287/2016, entre outros aspectos, caso seja aprovada, destaca:

– As novas regras passam a valer para homens de até 50 anos e mulheres com idade igual ou inferior a 45 anos. Para trabalhadores mais velhos, mas que ainda não podem se aposentar pelas regras atuais, haverá uma regra de transição;
– O Brasil passa a ter a idade mínima de 65 anos, para que os trabalhadores se aposentem tanto homens quanto mulheres. Além disso, para ter o direito ao benefício, os trabalhadores também precisarão ter completado 25 anos de contribuição. Pelas regras em vigor atualmente, homens podem se aposentar, por idade, com 65 anos, e as mulheres, com 60 anos. Há também a possibilidade de se aposentar por tempo de contribuição. São necessários atualmente 35 anos para homens e 30 anos para mulheres;
– A PEC 287 extingue a regra 85/95 e o fator previdenciário e institui uma nova forma de cálculo.

7. Brasileira premiada
A brasileira Celina Turchi, especialista em doenças infecciosas da Fiocruz Pernambuco, foi escolhida como uma das dez cientistas mais importantes de 2016 pela revista britânica “Nature”, pela pesquisa em que descobriu a relação entre a microcefalia e o vírus da Zika. O nascimento do primeiro bebê do mundo por meio de uma técnica de reprodução assistida que usa o DNA de três pais diferentes também se tornou realidade neste ano, o que fez a “Nature” incluir na lista de personalidades o especialista em fertilidade John Zhang. (Fonte: Estadão)

8. Rio de Janeiro: paisagem cultural urbana Patrimônio Mundial / Yoga Patrimônio Cultural Imaterial
De maneira inédita, em dezembro de 2016, a cidade do Rio de Janeiro foi declarada a 1ª paisagem cultural urbana Patrimônio Mundial da Unesco. Ainda em dezembro de 2016, a Unesco declarou também que Yoga é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Ao tomar a decisão, a agência da ONU lembra que desde jovens até idosos podem praticar yoga, que “não discrimina gênero, classe social ou religião”, tendo se tornado inclusive popular em vários países.

MUNDO
1. Brexit
O mês de junho de 2016 apresentou uma nova página da história do continente europeu e, consequentemente, do globo. O referendo sobre o provável desligamento do Reino Unido da União Europeia fez reascender debates “separatistas” e tende a estimular outros países a tal consulta (o que se faz dicotômico, visto que as opiniões são divergentes sobre benefícios e prejuízos de fazer parte da União Europeia). A opção de “sair” da União Europeia venceu com uma diferença de aproximadamente 1,2 milhão de votos. O “sair” representou cerca de 51,9% do total de votos (17.410.742 votos a favor da saída). O processo de votação por meio de referendo ficou conhecido como Brexit. O termo Brexit é a união das palavras Britain (Grã-Bretanha) e Exit (saída, em inglês).

2. Relações entre EUA e Cuba
Depois de 50 anos, o primeiro voo regular de Miami para Havana aconteceu em novembro de 2016 – desde agosto, as companhias aéreas americanas realizavam voos para Cuba, mas a capital ainda estava fora dos limites. Em outubro de 2016, outro fato envolvendo a relação diplomática entre EUA e Cuba chamou a atenção: os Estados Unidos, pela primeira vez, se abstiveram na votação da resolução da Assembleia Geral da ONU que a cada ano condena o embargo sobre Cuba. Em 2015, o presidente Obama já havia cogitado a possibilidade de abstenção, mas por concluir que não poderia adotar tal postura porque a resolução não refletia o que considerava ser o espírito de engajamento entre Obama e o presidente cubano, Raúl Castro. Assim, naquele ano, junto com Israel, EUA se puseram contra o fim do embargo.

3. Morte de Fidel Castro
No dia 26 de novembro de 2016, morreu o líder cubano Fidel Castro, aos 90 anos de idade. Visto como um grande líder revolucionário por uns, e como ditador implacável por outros, Fidel foi saindo de cena progressivamente ao longo da última década, morando em lugar não divulgado e fazendo aparições esporádicas nos últimos anos.

4. Vitória de Donald Trump nos EUA
Em vídeo divulgado em redes sociais, o novo presidente dos EUA anunciou quais serão as suas ações executivas já no primeiro dia de mandato (em janeiro de 2017):

– Notificação de intenção de retirada do país do Acordo Transpacífico;
– Cancelamento de restrições que “matam empregos” de produção da energia americana;
– Formulação de uma regra que estabelecerá que para cada novo regulamento criado dois têm que ser eliminados;
– Autorização para a elaboração de um plano de proteção da infraestrutura americana de ataques cibernéticos ou de qualquer outra natureza;
– Autorização de uma investigação pelo Departamento do Trabalho sobre os “abusos” dos programas de visto “que rebaixam o trabalhador americano”;
– Imposição de uma proibição para que autoridades se tornem lobistas após deixarem a administração.

5. Acordo entre as Farc e o governo colombiano
A Corte Constitucional da Colômbia aprovou, em julho de 2016, o plebiscito como mecanismo para referendar os acordos de paz firmados pelo governo colombiano com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após quase quatro anos de negociações.

O plebiscito foi proposto pelo presidente do país, Juan Manuel Santos, e terá caráter vinculativo (ou seja, a decisão terá de ser obrigatoriamente respeitada). Ainda que a posição dentro da Corte não tenha sido suprema (sete votos favoráveis ao plebiscito e dois contrários), o mesmo deveria legitimar as amplas discussões traçadas desde 2012 para colocar fim a este conflito sangrento. Esse é o maior problema: a consulta popular apareceu como surpresa.

– A opção por não ratificar o acordo foi escolhida por 50,2% dos votos válidos. A diferença entre o “não” e o “sim” foi de menos de 60 mil votos;
– A campanha pelo “Sim” tinha o apoio do atual presidente do país e de uma série de políticos dentro e fora da Colômbia, incluindo o ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Os partidários do “Não” eram liderados pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe;
– A taxa de abstenção na consulta foi a mais alta em décadas: 63%;
– A oposição não se viu completamente atendida pelo novo texto do acordo, sugerindo que se trata de uma mera maquiagem. Ainda assim, o acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc na Colômbia foi ratificado pelo Congresso, após a aprovação por parte da Câmara dos Deputados no último dia de novembro de 2016, um dia depois de ter passado pelo Senado;
– Por unanimidade, do total de 166 deputados, os presentes votaram com 130 votos a favor e 0 contra, ratificando um acordo que põe fim a 52 anos de conflito armado.

6. Novo secretário-geral da ONU
Em dezembro de 2016, ao fazer seu primeiro pronunciamento oficial como novo secretário-geral da ONU, o português António Guterres, destacou que as prioridades do seu trabalho serão: paz, sustentabilidade e gestão. Guterres assume o lugar do sul coreano Ban Ki Moon. Entre 2005 e 2015, o português dirigiu o Acnur, agência da ONU responsável pelos refugiados. Nesse período, promoveu uma série de reformas que aprimoraram a atuação da agência, segundo diplomatas. Hoje o Acnur é considerado um dos órgãos mais funcionais e bem-sucedidos da ONU, organização frequentemente criticada pelo excesso de burocracia e pouco impacto na vida das pessoas. O Brasil não endossou oficialmente a candidatura de Guterres para não melindrar a Argentina, que concorria ao posto com sua chanceler, Susana Malcorra. Além da argentina Susana, outras mulheres concorreram ao posto: a búlgara Irina Bokova e a neo-zeolandesa Helen Clark.

7. Guerra Civil na Síria
Os Estados Unidos culpam Assad pela maior parte das atrocidades cometidas no conflito e exigem que ele deixe o poder como pré-condição para a paz. A Rússia apoia a permanência de Assad no poder, o que é crucial para defender os interesses de Moscou no país. O Irã, de maioria xiita, é o aliado mais próximo de Bashar al-Assad. A Síria é o principal ponto de trânsito de armamentos que Teerã envia para o movimento Hezbollah no Líbano – a milícia também enviou milhares de combatentes para apoiar as forças sírias.

– Estima-se que os iranianos já tenham desembolsado bilhões de dólares para fortalecer as forças sírias, provendo assessores militares, armas, crédito e petróleo;
– Contrapondo-se à influência do Irã, a Arábia Saudita, principal rival de Teerã na região, tem enviado importante ajuda militar para os rebeldes, inclusive para grupos radicais. Outro aliado importante dos rebeldes sírios, a Turquia tem buscado limitar o apoio dos EUA às forças curdas, que acusam de apoiar rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão);
– Os rebeldes da oposição síria ainda têm atraído apoio em várias medidas de outras potências regionais, como Catar e Jordânia;
– Segundo a ONU, a guerra já matou mais de 400 mil pessoas e obrigou mais de 4,8 milhões de pessoas a fugir de suas casas – a maioria mulheres e crianças;
– O êxodo de refugiados, um dos maiores da história recente, colocou sob pressão os países vizinhos – Líbano, Jordânia e Turquia. Cerca de 10% deles buscam asilo na Europa, provocando divisões entre os países do bloco europeu sobre como dividir essas responsabilidades;
– A ONU disse que são necessários US$3,2 bilhões para prover ajuda humanitária a 13,5 milhões de pessoas – incluindo seis milhões de crianças – no país. Além disso, 70% da população não tem acesso a água potável, uma em cada três pessoas não consegue suprir as necessidades alimentares básicas, mais de 2 milhões de crianças não vão à escola e um em cada cinco indivíduos vive na pobreza. (Fonte: BBC Brasil)

8. Venezuela suspensa do Mercosul
A crise em que a Venezuela se vê mergulhada acabou por prejudicar o país no que tange ao posicionamento frente à diplomacia mundial. No início de dezembro de 2016, chanceleres da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, países fundadores do Mercosul, comunicaram à Venezuela de sua suspensão do bloco, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina. A Argentina assumiu a presidência, ainda que os venezuelanos não tenham legitimado tal suspensão.

9. Prêmio Nobel
Em dezembro de 2016, o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, recebeu o prêmio Nobel da Paz. Para a cerimônia que aconteceu em Oslo, na Noruega, Santos levou dez vítimas do conflito. Além disso, em seu pronunciamento, usou trechos da música de Bob Dylan (vencedor do Nobel de Literatura). Durante a sua fala, Santos ainda agradeceu o respaldo da comunidade internacional para as negociações de paz, em particular da Noruega, Cuba, Chile, Venezuela, Estados Unidos e União Europeia para “acabar com mais de meio século de conflito com a guerrilha das Farc”.
Fonte:Folha Dirigida

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