Vitória de Donald Trump entra para a história. E deverá cair em provas

Estados Unidos

Assunto mais comentado do dia, não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, incluindo o Brasil, a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas não só estampou as redes sociais, mas também passa a fazer parte da história. O que será do governo do bilionário, pouco ainda se sabe. Mas, para os concurseiros, uma coisa é certa. A empolgante e surpreendente disputa entre democratas e republicanos deverá ser incluída no conteúdo programático de concursos públicos muito em breve.

Quem explica como o assunto poderá ser cobrado nas avaliações, dentro do tema de Atualidades ou até como tema de Redação, é Leandro Signori, professor da referida disciplina e também de Geografia, Realidade Brasileira e História do curso Estratégia. Além disso, Leandro tem larga experiência como concurseiro: já ocupou cargos públicos em lugares como a Prefeitura de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e o Ministério da Integração Nacional. Ele começa dando as dicas de que abordagens podem ser feitas pelas bancas, tanto em questões de provas, quanto nas redações. Uma delas é a globalização no seu contexto amplo (econômico, político e social): o mundo melhorou com a globalização?

A desigualdade econômica e social, pelo menos, aumentou. Mas isso tem motivo: “Trump foi o mais votado nas velhas regiões industriais norte-americanas, as mesmas que foram à falência com a abertura dos mercados estadunidenses”. E a mensagem para esses eleitores foi clara: a promessa de rever acordos comerciais e elevar tarifas de importação, para essas regiões, significou uma esperança de melhorias. Via protecionismo, ele espera, ao menos em tese, gerar empregos, recuperar salários e restituir a qualidade de vida daqueles que, supostamente, foram prejudicados pela globalização.

Imigração é ponto-chave na nova política dos EUA
Além desta abordagem, Leandro sugere que os alunos atentem para a questão da imigração e seus obstáculos em um mundo mais fechado. Dentro deste foco, é preciso conhecer os tópicos “desafios da imigração no mundo atual”, “xenofobia” e “o que representam os nacionalismos”. Além desses detalhes, os concurseiros devem atentar à questão da crítica à política atual, bem como as relações internacionais e a cooperação entre os países. Mas para ficar craque nesses tópicos, é preciso mais do que acompanhar o noticiário na TV.

Para o professor, os assuntos de Atualidades devem ser estudados diariamente. Tanto assistindo ao noticiário, quanto por meio da leitura de editoriais, reportagens especiais e veículos de comunicação especializados. Acha muito? Para garantir uma excelente nota nos concursos, pelo menos nesta disciplina, é preciso ainda mais: “É imprescindível fazer um bom curso de Atualidades e, principalmente, saber separar a sua visão de mundo e a sua concepção ideológica da leitura e compreensão da realidade”. Para que você não caia nessa armadilha, ele tem uma sugestão simples: “Não tenha radicalismos ao analisar os fatos, compreenda e conheça ambas as posições. E para se sair ainda melhor, saiba qual a abordagem da banca, bem como o que ela considera certo e errado”.

Seja qual for a banca, a partir de hoje os concurseiros devem ficar atentos ao tema da globalização. O professor questiona: ela pode retroceder no governo Trump? Para muitos, essa é uma hipótese impensável. Mas, para o especialista, nem tanto assim. “Chamo aqui a atenção para o ‘Brexit’, que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia. É outro pilar da globalização sendo derrubado: de que esse bloco econômico só avança”, explica. A união não só não avança, como também merece a atenção dos concurseiros. “Teremos eleição na França, na qual a Frente Nacional (FN), de Marine Le Pen, pode ir ao segundo turno e até mesmo vencer. Isso significaria poder para a direita nacionalista francesa, que também propõe mais poder aos países, e menos ao bloco econômico”.

E não é apenas no prefeito que acabou de ser eleito na sua cidade que você deve ficar de olho. Se você é um concurseiro dedicado, precisa acompanhar de perto as próximas ações de Trump. Ele vai implementar mesmo suas promessas de campanha? Mas, pelo o que especula Leandro, o assunto será, no mínimo, interessante de ser acompanhado: “As promessas de Trump, como as relacionadas à imigração, construção de muros e acordos comerciais, serão objetos de tensos debates. E você, concurseiro, precisa não só assistir a eles, mas compreender o seu contexto e significado”. É bom observar também se Trump terá atitudes xenófobas, como seus críticos alegam.

Independentemente do sentimento de rejeição ou amores aos estrangeiros, Donald Trump não representa o político tradicional. Ele não tem uma trajetória de vida de militância, apenas filiou-se ao Partido Republicano alguns meses antes do início da campanha das eleições primárias. “Na verdade, Trump é um empresário e magnata. E a situação é ainda mais polêmica do que parece: ele, que se tornou o candidato republicano, derrotou históricas lideranças do partido, tanto que sua candidatura não foi aceita por muitos membros e líderes. A polêmica só aumenta: umas das características da sua campanha a crítica ao establishment norte-americano. Ou seja, à ordem política, econômica e social dominante nos Estados Unidos, bem como aos políticos tradicionais, à grande mídia e ao poder econômico”.

Claro, não foi só isso. Para analistas liberais, Trump defendeu ideias nativistas, nacionalistas, xenófobas, isolacionistas e antiglobalização. E o professor observa que, ao afirmar isso, não está expressando sua opinião, mas indicando fatos da realidade, atitude que, segundo ele, deve ser adotada nos concursos. Continuando sua análise, Leandro destaca que, de uma forma diferente, o socialista Bernie Sanders, pré-candidato derrotado do Partido Democrata, também adotou o discurso contra o establishment, chegando a empolgar os eleitores mais jovens. Contudo, perdeu a vaga de candidato para Hillary. O professor lembra que ela teve muitas dificuldades para vencer Sanders nas primárias do partido. “Veja que aqui temos um ponto em comum: a força desse discurso. Esse rótulo, de que representava essa elite, colou em Hillary Clinton. Ela fez política a vida toda”.

Hillary perdeu por representar a velha política
E mesmo com a experiência de uma vida na política, Hillary, assim como Trump, não conseguiu deixar a vida pessoal fora dos debates. Que essa é uma realidade nas eleições não é novidade, mas para os analistas, o curioso foi o nível de exacerbação do tom dos discursos e das acusações entre os postulantes ao cargo. Mas as faíscas não se restringiram aos estúdios nos quais foram gravados os debates. Até Obama se envolveu nos conflitos. Como destaca o professor, ele, que apoiava Hillary, também trocou acusações e ácidas críticas com o candidato republicano. Mesmo com o apoio do tão popular presidente, as faíscas deram sorte a Trump. Logo a ele, que defendeu propostas polêmicas e chegou até a questionar a lisura das eleições, deixando suspenso se reconheceria o resultado, em caso de derrota. Venceu.

Já que Hillary perdeu, caberia a ela, de acordo com o costume, discursar antes do candidato eleito, reconhecendo sua vitória. Mas ela rompeu a tradição e cancelou o discurso previsto. Trump foi a público antes. Mas depois, Hillary subiu aos palcos reconhecendo a vitória e desejando uma boa gestão ao adversário, mas deixando claro que a opinião pública dos Estados Unidos está dividida. Para o professor, fatos como estes são a prova do extremismo que marcou este período. “São elementos que ilustram a radicalização desta eleição”.

Tanto é verdade que, para analistas de viés liberal, a vitória de Trump representa um freio e um retrocesso da globalização. Os argumentos são vários, como os de que ele vai rever tratados de livre comércio que considera prejudiciais aos Estados Unidos e aumentar tarifas de produtos importados. “São propostas que vão no sentido contrário ao livre-comércio, um dos pilares da globalização atual”. E parece que ele não faz questão de esconder a realidade, assumindo seus pontos de vista: pelo que prometeu, os Estados Unidos serão mais protecionistas e poderão até deixar de fazer parte de tratados internacionais de livre-comércio.

Mas claro, junto com as polêmicas opiniões, vieram os argumentos. Na campanha, Trump disse que quando o México envia suas pessoas para os EUA, não manda as melhores, mas sim as com muitos problemas. Nas palavras do republicano: “E elas trazem esses problemas para cá, como drogas e crime. São estupradores”, chegou a radicalizar. “Daí, a proposta de construção de um muro na longa fronteira com o México e, pasmem: quem vai pagar a construção do muro será o México”, explica o professor. Com base nesses argumentos, Trump prometeu deportar imigrantes ilegais, que são quase 11 milhões, e suspender a entrada de muçulmanos no país. Ou seja, será uma nação mais fechada à imigração estrangeira.

E o que pode mudar no cenário mundial?
Como grande potência política, econômica e militar, os EUA são determinantes para os rumos da ordem mundial. Segundo as promessas de Trump, os EUA se envolverão menos nos conflitos regionais e serão menos intervencionistas militarmente. De acordo com os argumentos dele, as tensões no leste da Ásia são um problema a ser resolvido regionalmente, com menos interferência americana, assim como as tensões no leste europeu entre Rússia e União Europeia, que são um problema russo e do bloco europeu – e não da América.

As tensões entre Rússia e União Europeia não são um problema americano, mas o terrorismo é. Apesar de que, pelo menos por enquanto, não deve haver mudanças nesta realidade. “Trump prometeu destruir o Estado Islâmico”, afirma o professor. Se para algumas questões há promessas, para outras não está claro. Talvez Trump não mexa na questão da reaproximação de Cuba no início do seu governo, já que terá muitas frentes conflituosas para agir, administrar e se envolver. Há ainda o receio de que ele retire a ratificação dos EUA ao acordo do clima de Paris. “Trump é um cético quanto à tese do aquecimento global gerado pela ação humana”, explica Leandro.

Mas e se a vontade de quase metade dos eleitores americanos tivesse sido feita e Hillary tivesse sido eleita? O professor analisa que ela procuraria dar continuidade a muitas políticas internas de Obama. “No plano interno, não teríamos grandes mudanças; ela continuaria tentando implementar uma nova política de imigração, para a legalização de parcela dos ilegais, assim como o Obamacare, que teria continuidade, realidade que será revista por Trump”.

Já no cenário internacional, Hillary é mais intervencionista que o ex presidente. Se vencesse, a tendência seria de um envolvimento direto maior dos Estados Unidos nos conflitos internacionais. Ela seguiria com a normalização das relações diplomáticas com Cuba e com a política de Obama sobre o aquecimento global. Sejam quais forem as mudanças que essa realidade terá daqui para a frente, fato é que você, concurseiro, precisa estar atento a todas elas, para não só estar bem informado, mas para garantir uma boa nota nos próximos concursos.
Fonte:Folha Dirigida

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