PREPARAÇÃO – Tensão pré-edital: o que é, qual risco e como evitá-la?

O tema é tão relevante que, estudado pelo medicina, é alvo de série com o Doutor Drauzio Varella, veiculada pelo Fantástico, na TV Globo. A TPM, ou tensão pré-menstrual, ataca as mulheres em sua maturidade, por meio de sintomas como cólicas abdominais, calores, suores ou mau humor, frutos da baixa hormonal. Uma outra tensão costuma ser verificada no país, e atinge em cheio uma parcela ainda mais específica da população. Trata-se da ‘TPE’, ou ‘tensão pré-edital’. As vítimas? É claro, são os concurseiros.

Alguns deles vivem, há meses, uma espécie de contagem regressiva. Aguardado por milhares de interessados, desde o ano passado, o concurso 2016 do Tribunal Regional Federal da 2ª região (TRF-RJ/ES), que abrangerá o Rio de Janeiro e Espírito Santo, tem colocado à prova os nervos dos concurseiros. Agora que falta pouco, muito pouco, para a liberação do edital (leia AQUI), a TPE se manifesta sem distinção de gênero, entre candidatos e candidatas. Tensão, insônia, dor de cabeça, falta de apetite, apetite extra. Tamanho nervosismo é compreensível. A seleção vai oferecer salário de R$7.111 para nível médio e R$11.063 para superior.

E o melhor: pelo que consta do projeto inicial, já publicado na FOLHA DIRIGIDA Online, a lista final poderá trazer o nome de até 2.990 classificados em cadastro, para convocações durante a validade do certame. Quem confessa que vem mesmo sofrendo com a tal ‘TPE’ é Andrea Cristina Correa. Aos 40 anos, a concurseira já teve até um encurtamento muscular, em razão do longo tempo sentada. Segundo ela, o problema vem realmente prejudicando seus estudos:

“Queria que o edital atrasasse um pouco, para ganhar tempo”. Quando a angústia transcede o psicólogico e afeta o corpo, no caso de Andrea, ela se manifesta no forma de fome descomunal. E menos horas de sono. Tempo que para ela é raro, já que Andrea não trabalha – pouco. É dona de casa, mãe e concurseira. Ela, que define a ‘TPE’ como “um mergulho no mundo das elocubrações e das teorias da conspiração sobre a data da prova e o conteúdo programático”, confessa que, assim que tiver acesso ao edital, contará quantos fins de semana poderá estudar até o dia da avaliação.

Tanta ansiedade tem explicação: Andrea deposita toda sua esperança no TRF. “Já passei em outros concursos, dois deles com prazo encerrando em dezembro e ainda não tomei posse”. A aprovação representaria para a moradora do Rio Grande do Sul, na cidade de Santa Maria, muito mais do que estabilidade financeira. “Além da possibilidade de voltar ao Rio, minha grande motivação para prestar o concurso é o fato do meu marido ser militar e, me tornando servidora federal, poderei me transferir junto com ele”.

Muitos concorrentes estressados à vista
Mas para se transferir junto com o marido, Andrea precisa antes concorrer com Letícia Leão, que também está munida desse clima de amor. Recém-casada, a advogada quer a aprovação para, entre outros sonhos, mobiliar o apartamento novo. Parece que Andrea precisará intensificar a preparação, pois Letícia está bastante decidida. “Vou ler o edital inteiro, para não correr o risco de perder nenhuma informação”. Mas não é só o casal que vai se dar bem caso Letícia seja aprovada: “Também gostaria de usar meu salário para oferecer uma viagem para minha mãe”. Apesar de jovem – 26 anos – a advogada mostra maturidade ao já ter definido um foco para sua carreira: os concursos dos tribunais”.

Enquanto uns querem a aprovação para investir no casamento e na família, outros mal têm tempo para si mesmos. Anna Christina Diaz, que no mês de outubro conhecerá o novo chefe, com o resultado da eleição na cidade do Rio de Janeiro, ainda consegue fazer duas faculdades, fora a jornada diária de 8 horas de trabalho. A servidora está torcendo para que o edital saia depois de novembro. Assim, teria mais tempo de se preparar. “Ando estressada com os boatos de que o edital sairá em outubro, com a prova em dezembro. Prefiro que ela aconteça de janeiro em diante”.

De uma pessoa que trabalha 8 horas por dia, cursa duas faculdades e ainda estuda para concursos, não se pode esperar metas pequenas. “Ainda não é o concurso dos meus sonhos, mas aumentaria o meu poder aquisitivo”. Mesmo não sendo um “sonho de vaga”, parece que a ansiedade é a mesma. E lá vêm os sintomas da ‘TPE’… “Estou comendo muitas besteiras e dormindo menos. Entrei na academia para combater a ansiedade e a insônia, mas sinto que meu cérebro está acelerado nos pensamentos. Às vezes, fico tão ansiosa, geralmente à noite, que não sei quais matéria estudar mais”.
Folha Dirigida

 

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